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27/05/2017

Crise política em Brasília compromete andamento de temas importantes para a economia brasileira e para o Agronegócio

O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), Arlindo Moura, destaca que a questão do Fundo de Apoio ao Trabalhador Rural (Funrural) de pessoa física é importante para a cadeia rural e para o agronegócio como um todo. 90% da produção brasileira é feito por essas pessoas, então o problema, segundo ele, é grande.
 
Ele lembra que o Funrural já estava destacado com uma negociação viável para os produtores, com uma alíquota de 1,5% sobre o faturamento bruto e mais 0,8% para aqueles produtores que não depositaram o passivo em juízo, até que os débitos fossem quitados. Havia uma Medida Provisória (MP) para sair, com dia e hora marcada, mas isso não ocorreu.
 
Para Moura, este fator traz uma instabilidade, muito embora a MP apontasse que estas medidas valeriam a partir do dia 1 de janeiro de 2018. Entretanto, ele acredita que o Funrural deveria ser igual tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica.
 
Ele acredita que seria interessante que os produtores se tornassem pessoas jurídicas para terem maior segurança, créditos mais facilitados e outros benefícios. Porém, como há outras facilidades no Brasil para pessoas físicas, os produtores optam por ficar nesta condição.
 
A pressa que se tinha quanto ao Funrural era para que o problema fosse solucionado e saísse do radar do produtor para que a próxima safra fosse encaminhada. Moura vê que, mesmo que a MP seja publicada nos próximos meses, ela não irá prejudicar os produtores devido à sua data de início de vigência.
 
No tocante à questão política, Moura não acredita que algum produtor vai deixar de plantar pela crise - muito pelo contrário: as fontes de financiamento podem mudar, mas os produtores encontrarão saída na crise por meio do campo, o que sempre ocorreu.
 
Moura acredita ainda que o Brasil está arrecadando menos do que gasta - com isso, ele aponta que, na sua opinião, as reformas são necessárias, especialmente a Reforma da Previdência, além de um controle maior dos gastos do país. Neste momento, Moura acredita que não há condições de elas serem votadas no atual cenário, mas que essas questões devem voltar ao escopo ainda neste ano.
 
Por: João Batista Olivi
Fonte: Notícias Agrícolas